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Pequenos no tamanho. Gigantes na missão.

  • Foto do escritor: Luiz Felipe Monsanto Fernandes Alves
    Luiz Felipe Monsanto Fernandes Alves
  • 20 de fev.
  • 4 min de leitura

Como os stents coronarianos mudaram para sempre o destino de milhões de corações.



🕰️ Onde tudo começou

Antes de qualquer coisa… uma coisa que eu digo diariamente e, é claro, eu vou ter que esclarecer por aqui também…

CATETERISMO = EXAME DIAGNÓSTICOANGIOPLASTIA = TRATAMENTO ("desobstruir o vaso entupido")

Quando tudo começou… os stents, a angioplastia (apenas) com balão isolado dominava o cenário nas décadas de 1970 e 80.O problema? A artéria muitas vezes recolhia novamente após a dilatação — a chamada retração elástica — além do risco de oclusão aguda e reestenose. Devemos pensar sempre que no momento em que no momento em que abordamos esta obstrução, disparamos uma grande cascata de inflamação local e sistêmica que pode ser extremamente prejudicial e por este motivo, a lesão retornava.

A ideia de deixar algo para sustentar o vaso por dentro parecia ousada demais.Até que, em 1986, ocorreu o primeiro implante de stent coronariano em humanos.

E nada mais foi como antes.

🇧🇷 O capítulo brasileiro

Pouco tempo depois dos primeiros implantes europeus, o Brasil também entraria para essa história.

Em 1987, o primeiro implante de stent coronariano no país foi realizado pelo cardiologista Eduardo de Souza, marcando o início de uma nova era na terapêutica coronária nacional.

Naquele momento, a angioplastia ainda convivia com limitações importantes.Trazer a tecnologia dos stents para o Brasil não foi apenas um avanço técnico — foi um gesto de visão, coragem e pioneirismo.


Dr. Eduardo de Souza
Dr. Eduardo de Souza

A partir dali, o país passaria a ocupar papel crescente na cardiologia intervencionista mundial, formando especialistas, participando de estudos internacionais e contribuindo para a evolução das técnicas e dos dispositivos.

Hoje, cada procedimento realizado em nossos laboratórios de hemodinâmica carrega um pouco desse início silencioso, quando implantar um pequeno tubo metálico dentro de uma coronária ainda parecia algo quase inimaginável.

Lembrando que há alguns meses eu gravava um podcast com a empresa SCITECH. Empresa brasileira que foi a primeira a produzir stents farmacológicos de última geração no Brasil e exportar para mais de 45 países!

Se você não assistiu confira o terceiro episódio do PodCast Café com Contraste ☕️ confira abaixo:



🔩 Pequenos gigantes

Alguns números sempre impressionam:

  • Diâmetro habitual: 2 a 4 mm

  • Comprimento típico: 8 a 38 mm

  • Espessura das hastes: pode chegar a menos de 80 micrômetros (a mesma espessura de um fio de cabelo).

Ou seja, é engenharia microscópica preservando territórios inteiros do coração.

Tecnologia quase invisível… com impacto gigantesco.



📈 A evolução em três atos

1️⃣ Stents metálicos convencionais

Resolveram a retração elástica, mas trouxeram um novo desafio: reestenose por hiperplasia neointimal. Ou seja, também disparam uma reação inflamatória que provocava a formação de um "tecido” que crescia por dentro do stent ocasionando em uma nova obstrução.


2️⃣ Stents farmacológicos (DES)

A grande virada dos anos 2000.A liberação local de fármacos antiproliferativos (geralmente quimioterápicos!) reduziu drasticamente a reestenose — muitas vezes para menos de 5–10%.

A intervenção coronária deixou de ser apenas uma solução emergencial e tornou-se durável.


3️⃣ Plataformas ultrafinas, bioabsorvíveis e balões farmacológicos.


A promessa que não deu certo: os stents que “sumiam”


Durante muitos anos, os stents metálicos salvaram milhões de vidas.

Eles são pequenas “molhinhas” que mantêm a artéria do coração aberta após um infarto ou angina.

Mas surgiu uma ideia revolucionária:

💡 E se o stent pudesse desaparecer depois de cumprir sua função?

Assim nasceram os stents bioabsorvíveis, como o Absorb BVS

A promessa era linda:

  • Sustentar a artéria

  • Permitir cicatrização

  • E depois… sumir do corpo

Parecia perfeito. Mas não foi.


❌ O que aconteceu?

Em estudos importantes como o ABSORB III, começou-se a perceber que:

  • Eles formavam mais coágulos

  • Tinham maior risco de entupir novamente

  • Davam mais complicações do que os stents metálicos modernos

E por quê?


🔎 De forma simples:

Eram mais difíceis de implantar corretamente. Exigiam técnica muito precisa. O processo de “desaparecer” nem sempre era tão previsível. E muitas vezes pela falta do composto metálico, ele perdia força radial e com isso, em alguns estudos tardios, observava-se que eles se fraturavam para dentro da luz do vaso, criando um fluxo turbilhonado e piorando a "hemodinâmica” do local. O que era extremamente danoso para os pacientes…

Resultado?Foram retirados do mercado.

🧠 O que aprendemos com isso?

Nem toda inovação é melhor só por ser nova.

Enquanto isso, os stents metálicos evoluíram muito e ficaram extremamente seguros.

Hoje, eles continuam sendo a melhor opção na maioria dos casos.

A história acabou?

Não.

Novas versões estão sendo estudadas.Talvez no futuro os stents que desaparecem voltem — melhores e mais seguros.

No momento, quem vem ganhando muito espaço são os balões farmacológicos.

A superfície do balão é coberta por um remédio antiproliferativo (geralmente paclitaxel), misturado a uma substância que ajuda a droga a “grudar” na parede da artéria.

👉 Esse revestimento fica seco no balão até o momento da insuflação.

⚙️ Como ele funciona?

O processo é rápido:

1️⃣ O balão é posicionado na área estreitada.2️⃣ Ele é inflado por cerca de 20 a 60 segundos.3️⃣ O medicamento é transferido para a parede da artéria.4️⃣ O balão é desinflado e retirado.

Nenhum implante fica dentro do vaso.

💊 O que o remédio faz?

Quando uma artéria é manipulada, o corpo tenta “cicatrizar”.

Às vezes essa cicatrização é exagerada — e o vaso volta a estreitar.

O medicamento:

✔️ Reduz a proliferação das células da parede✔️ Diminui a inflamação✔️ Reduz o risco de reobstrução

🧠 O conceito central

Ele combina duas coisas:

🛠️ Tratamento mecânico (abrir o vaso)💊 Tratamento biológico (controlar a cicatrização)

Tudo isso sem deixar metal para trás.

🔮 O que vem pela frente

O futuro dos stents parece seguir três direções principais:

  • Estruturas cada vez mais finas, reduzindo inflamação e trombose

  • Terapias locais inteligentes, com liberação controlada de múltiplos fármacos

  • Dispositivos que desaparecem como o balão farmacológico, restaurando a biologia natural do vaso

Talvez, um dia, o melhor stent seja justamente aquele que não permanece. Nunca se sabe… Tudo isso já pareceu loucura um dia.

🫀 Mais do que metal

Cada ANGIOPLASTIA carrega algo invisível:

  • Anos de pesquisa

  • Milhares de vidas estudadas

  • Decisões tomadas em segundos

  • a confiança silenciosa de quem deita na mesa do procedimento


No fim, não é sobre aço, polímero ou fármaco.


É sobre tempo ganho / dor evitada / histórias que continuam.

 
 
 

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